segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Billy de Assis: “ser professor é ouvir o outro”




Professor do Cieja Campo Limpo, em São Paulo, tem as famílias dos estudantes como principais parceiros de seu trabalho
 



“Eu aprendi a enxergar melhor com pessoas que não enxergam. A ouvir melhor com pessoas que não ouvem. A valorizar as minhas ideias com pessoas que sequer entendem o que estou falando. E o mais importante de tudo, aprendi a entender o coração do meu aluno e o meu. O que falta na sociedade é o exercício da empatia”.

Há 10 anos, Severino Batista da Silva, o Billy de Assis, 52 anos, é professor do CIEJA Campo Limpo, unidade que atende jovens e adultos na zona sul de São Paulo. São pelo menos duas horas diárias dedicadas ao atendimento educacional especializado de estudantes com deficiência intelectual na unidade.

Billy sabe da necessidade de ofertar um trabalho pedagógico diferenciado daquele das salas de aula regulares. “Meus alunos têm deficiência sim, mas muitas eficiências que as escolas em geral não veem por ficarem só em torno da leitura, escrita e matemática”.

Suas aulas se pautam na autonomia de cada estudante. “Nós trabalhamos a questão da liberdade, empregabilidade, sexualidade, alimentação saudável, higiene e respeito”, conta.

A percepção, no entanto, nem sempre foi essa. A diversidade chegou a assustá-lo quando teve o primeiro contato com a escola. “Embora eu tivesse gostado da proposta da escola, fiquei perdido de início porque eu tinha a cabeça de um professor de escola regular, não sabia lidar com uma escola que o portão fica aberto, que não faz separação de banheiros, que não tem diário de aula. No começo, eu fiquei arrumando umas desculpas para voltar para a caixinha que eu estava acostumado”.

Mas Billy não desistiu. Teve como primeiro desafio uma turma formada por 15 alunos com Síndrome de Down. “Eu a batizei de turma da alegria”. O trabalho pedagógico ia se construindo de maneira mais lúdica, com o apoio de vídeos, teatro. “Eu via que estava dando certo e que os meninos estavam se apaixonando”, conta.


Billy trabalha pela autonomia de seus estudantes.      Créditos: arquivo pessoal/divulgação

Até que surge uma dúvida. Para o professor, era importante saber se aquela proposta tinha continuidade pelas famílias. “Ficava me perguntando, será que esses familiares os incentivam? Porque eu via que eles tinham capacidades e podiam usufruir de algumas liberdades. Mas também sabia que muitas famílias acabavam os superprotegendo”.

Billy então resolveu chamar uma reunião de pais na escola. Ele percebeu que muitas mães ficavam na unidade aguardando o momento de saída dos filhos. Viu aí uma possibilidade de interação com essas famílias. Talvez ainda não imaginasse o rumo que essa história iria tomar.

O Café Terapêutico

A primeira reunião aconteceu em março de 2007. Ainda tímido, o encontro reuniu poucos pais, e um Billy determinado a conhecer melhor a realidade daquelas famílias e a estabelecer uma parceria para que o trabalho pedagógico fosse fortalecido.

“Ao término da primeira reunião, um pai me perguntou quando seria a próxima. A gente nunca mais parou e já vamos completar dez anos em março de 2018”, comemora.

O Café Terapêutico acontece todas as sextas feiras e conta com um grupo de pelo menos 40 participantes. A agenda comum é a inclusão. “Reunimos pais, alunos, pessoas da comunidade e especialistas parceiros da escola para discutir o que podemos fazer por uma sociedade mais inclusiva”, explica.



O Café Terapêutico foi porta de entrada das famílias na escola. Créditos: arquivo pessoal/divulgação

Os resultados, garante, são uma via de mão dupla. “Além da escola conhecer a vida dos estudantes em profundidade, podemos apoiar as famílias a esclarecer algumas questões, por exemplo, os direitos da pessoa com deficiência”, assegura.
Além das famílias serem as grandes parceiras da unidade, o Cieja ainda conta com uma ampla rede de articulação, que tem em média 200 atores. A partir disso, a escola consegue promover palestras, fazer encaminhamentos para a rede de saúde, promover oficinas e eventos de interesse da própria comunidade, como a “balada matinê” que promove aos sábados para os estudantes com deficiência.
Para Billy, todas as ações geram transformação. “Eu costumo dizer que nós não somos formados em nada, mas transformados. A mãe que tem um filho com deficiência não foi formada para isso. Muitos de nós, profissionais, também não. O que eu quero dizer com isso é que não há melhor formação do que a vivência, a prática cotidiana”.

Uma inspiração a mais
O educador atribui sua atuação à também educadora e diretora do Cieja Campo Limpo, Eda Luiz. “Ela é uma inspiração. Foi a pessoa que me fez perceber que ser professor é muito mais do que ficar em uma sala com lousa. É possível extrapolar tendo sempre em mente o bem do outro”, afirma.

Hoje, Billy acredita que é possível fazer uma educação diferente. “Desde que você pare para ouvir a pessoa que você está recebendo, saiba quais são suas necessidades. Nós estamos aqui para ensinar, mas também para aprender com cada uma das pessoas que fazem a escola”.


Realizando sonhos

https://g1.globo.com/educacao/noticia/quero-fazer-faculdade-diz-aposentada-de-81-anos-que-voltou-a-estudar-para-usar-a-internet.ghtml

A aposentada Maria Thereza de Camargo Oliveira, de 81 anos, voltou a estudar para aprender a usar a internet. Depois quis melhorar a escrita, ter noções de inglês e agora sonha com o próximo passo: ingressar no ensino superior.

"Se Deus me der vida e saúde eu quero fazer uma faculdade. Eu acho tão bonito o pessoal falar faculdade. Aprende isso, aprende aquilo", diz.

Maria Thereza está entre os 1.400 alunos do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo. A escola é referência no ensino de jovens e adultos. Ela vai à escola todos os dias de manhã, quando chega muito cedo não é rara encontrá-la varrendo as salas para matar o tempo. Duas vezes por semana fica para as aulas de reforço. Também estuda teatro e violão no Cieja.

Nascida em Jaú, no interior de São Paulo, Maria Thereza diz que na infância morava em uma fazenda e tinha de cuidar da casa enquanto os pais trabalhavam. Não sobrava tempo para estudar. Agora é diferente, tempo não lhe falta e ficar parada não é uma opção.

Ela tem um filho, um neto e uma bisneta, mas vive sozinha e conta que não lhe falta nada. Cuida da casa, faz compras e não dorme antes da meia-noite.


"Às vezes eu vejo as pessoas reclamarem, sabe? Mas eu falo: meu Deus, eu sou feliz. Eu praticamente vivo sozinha, mas eu sou feliz, eu venho pra escola, converso com os colegas, com as professoras. Eu tenho tudo na vida. Eu me emociono até quando eu falo."


Virada Educação



Quais são as referências de cada um quando falamos de competências como: empatia, o trabalho em equipe, a criatividade e o protagonismo?
Como as crianças e os jovens participam dos processos nessas escolas?
Convidados do Colégio Equipe e do CIEJA Campo Limpo dialogam sobre questões fundamentais para que crianças e jovens criem senso de responsabilidade pelo mundo e contribuam para torná-lo um lugar melhor.

A atividade tem como base a proposta do programa "Escolas Transformadoras" - uma iniciativa da Ashoka e que no Brasil, é co-realizado com o Instituto Alana.  Fruto da crença de que todos podem ser transformadores da sociedade, o programa enxerga a escola como espaço privilegiado para proporcionar experiências capazes de formar sujeitos com senso de responsabilidade pelo mundo: crianças e jovens aptos a assumir papel ativo diante das mudanças necessárias, em diferentes realidades sociais e amparados por valores e ferramentas como a empatia, o trabalho em equipe, a criatividade e o protagonismo.

http://viradaeducacao.me/experiencia/2017-escolas-transformadoras-na-virada-educação




A arte de ensinar.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Click - A arte da Inclusão


Nós do CIEJA Campo Limpo estaremos lá para prestigiar .

Arte sem limites

Em parceria com  o Instituto Olga Kos acontecerá no próximo sábado o espetáculo:

Fruto dos trabalhos da Oficina " Arte sem limites " - realizada pelo Instituto Olga Kos  -  que acontece no CIEJA Campo Limpo.




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Uma grande festa da INCLUSÃO.

Hoje nossa grande festa em comemoração ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi ao lado de pessoas mais que especiais.






Agradecimentos especiais:

Aos pais: Obrigado por acreditarem em nosso trabalho e contribuírem para a formação de uma sociedade mais humana.

Aos amigos do grupo Crescendo Juntos : Estar perto de vocês é mágico, sempre.

Aos alunos\amigos especiais: Vocês possuem habilidades que vão muito além da capacidade de ler, escrever e somar.

Aos parceiros do Instituto Olga Kos: Uma equipe de profissionais admiráveis - Márcia, Carla, Dariane e Jamile - obrigado por dar vida as nossas ideias.

Metrô de SP : Impossível descrever todo o carinho, atenção , profissionalismo, cuidados com todos nós do CIEJA Campo Limpo.
Começamos juntos com a ideia de comemorar o dia  Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência nas estações do metrô e ,  deu tão certo que estamos no terceiro ano.
Uma grande festa que possibilita a visibilidade dos fazeres de diferentes instituições em prol da INCLUSÃO .
Viabiliza a criação de uma rede de amigos e profissionais .
Nos enche de emoção.














Projeto Arte e Trabalho do CIEJA Campo Limpo na lll FELIZS - 2017


Projeto Arte e Trabalho do CIEJA Campo Limpo e sob responsabilidade da Professora Samara Annanias, envolve alunos da Sala de Recursos Multifuncionais fará exposição na III Feira Literária da Zona Sul (FELIZS) no dia 23/09/2017 na Praça do Campo Limpo.
Somos pessoas especiais (com deficiência intelectual) e a maioria de nós depende de terceiros (familiares e tutores) para praticamente tudo em nossas vidas, e por diversos motivos encontramos dificuldades para trabalhar, e o trabalho remunerado é um sonho para nós, por isso acreditamos que o projeto teve um resultado de transformação social, pois nos mostrou uma alternativa para obtermos uma fonte de renda. Além disso tivemos a possibilidade de nos socializar com outras pessoas e espaços, integrar alguns familiares que se interessaram e que também viram no projeto uma oportunidade de trabalho.



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

INCLUSÃO se faz com AÇÃO para mais INCLUSÃO.

Alunos do CIEJA participarão da 1º espetáculo fruto das oficinas de
Artes sem Limites do Instituto Olga Kos.



Semana Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

 Mais uma participação do CIEJA Campo Limpo com a Performance
" Constelação Inclusão ".









 
 


Semana Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência


Apresentação da Performance " Constelação Inclusão".
Idealização: Billy de Assis
Colaboração e realização: CIEJA Campo Limpo e Instituto Olga Kos

 
 
 

 








Programação:
HORÁRIO
PARCEIRO


12H00 (30’)
ABERTURA
 
 
12H30 (20’)
ASSOCIAÇÃO FERNANDA BIANCHINI


12H50 (20’)
IMREA –HC - FMUSP – REDE LUCY MONTORO -  UNIDADE  LAPA


13H10 (10’)
CIEJA – CAMPO LIMPO

 
13H20 (05’)
PROPRIETÁRIOS DE CÃO GUIA/SERVIÇOS REDE LUCY MONTORO – OFICINAS TERAPEUTICAS DE MÚSICA -


13H25 (20’)
AACD

 
13H45 (30’)
INSTITUTO SANTA TERESINHA


14H15 (10’)
CAPS INFANTIL – ARTUR ALVIM


14H25 (20’)
APOIE

 
14H45 (10’)
ESCOLA DA PM

 
14H55 (15’)
CENHA

 
15H10 (30’)
OLGA KOS


15H40 (05’)
SOCEL - TIME ÁGUIAS QUAD RUGBY


15H45 (15’)
LARAMARA


16H00 (20’)
LARAMARA


16H20 (10’)
LARAMARA


16H30 (30’)
INTEGRANTES DA TRIBO DE JAH E CONVIDADOS


17H00 (05’)
G-14


17H05 (05’)
G-14


17H10 (05’)
G-14


17H15 (05’)
G-14


17H20 (05’)
G-14


17h25 (30’)
ORQUESTRA ASAPH

 
18H00 (01H00)
BANDA DOS SEGURANÇAS DO METRÔ

 
 
 
 
 
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Fernando Olivi Moreno
Departamento de Relacionamento com o Usuário
 
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